Ontem - ou hoje - acordei no sofá às 3 da manhã, esperando meu irmão sair do computador pra que eu pudesse usar. Depois de perceber que era o único acordado no apartamento, fui dormir, de novo. Feliz e contente deitei na cama quente (a rima não foi proposital) ansioso pelas, pelo menos, 11 horas de sono. Afinal, em quase duas semanas inteiras era a primeira vez que eu não tinha horário pra acordar. Sem aula, sem prova, só alegria. Mas, em meio a sonhos e roncos soa no quarto escuro, enquanto passavam os primeiros minuto da décima hora do dia, um grito medonho, que causa asco e desespero. Uma voz que, amplificada por um microfone barato, parace sair das mais profundas profundezas do inferno (redundância é legal), dos mais inóspitos cantos da Terra, da mais alta das celas ou do mais baixo dos calabouços. E é essa voz, alta, aguda, gritada, que diz:
_ Aleluia, irmão!
Sinto o ódio subir-me à garganta, e, de imediato, invoco todos os poderes das trevas contra a infame criatura. Saem da minha boca as palavras da poderosa maldição. A voz rouca de alguém recém-acordado e nervoso que diz:
_ PUTA QUE PARIU!
Eu odeio ser acordado. Eu odeio ser acordado em feriado. Eu odeio ser acordado antes do meio dia em feriados. Eu odeio ser acordado antes do meio dia em feriado com a porra de um padre -ou pastor, vai saber...- gritando um monte de merda na rua. Vai tudo é tomar no meio do cú!
Agora eu tô com sono e com vontade de soltar uma bomba quando o procissão passar embaixo da minha janela. Será que vai demorar pra passar? Melhor não, ou vou acabar dormindo esperando.