22 abril, 2007
Refrão
Idolatramos ídolos do passado, cantamos músicas revolucionárias de outra era, imitamos defuntos. Somos a geração sem exemplos. Nenhum Vinícius, com nenhum novo estilo de música. Nenhum maconheiro de cabelo comprido underground. Nenhuma banda de garagem pseudo-famosa. Nossos filhos não terão LPs e CDs empoeirados nos quais não descobrirão tesouro algum. Não se inspirarão por músicas cantaroladas enquanto fazemos café preto. Nem ao menos beberão café preto, como já não fazemos alguns. Nossos netos nada saberão pela TV de como eram os avós. Não descobrirão que antepassado algum pulava ao som de novas velhas bandas. Nossos descendentes escutarão funk e pagode, samba se tivermos sorte. Nossos ídolos do passado haverão sido de um passado por demais distante, nada que valha a pena conhecer. Se perderão. E quando não mais alguém escutar Tom e Elis e Doors e Stooges e Beatles e Sinatra e Davis e Fitzgerald e Velvet Underground e mais, quando nenhuma caixa de som no mundo vibrar às batidas mal gravadas de baterias e riffs irritantes de guitarras desafinadas, quando em nenhum papel do planeta for impresso, por máquina ou mão, poemas com rimas e idéias novas, quando em voz alguma mais soarem ritmos lentos e melancólicos de amores perdidos ou cabeças serradas, quando mais cérebro algum se intrigar com vídeos sem sentido e sem nexo, quando não mais ninguém for capaz de interpretar metáforas complexas e geniais, quando o ultimo compositor de verdade acabar seu ultimo baseado justificado pela composição, será esse o fim dos tempos.