24 novembro, 2006

Coisas a se fazer antes da morte

Update: descobri que odeio e nao posso fazer listas. So nao deleto esse post porque..... seila porque, mas nao deleto. Lendo ai embaixo nem parece que foi mesmo eu quem escreveu. Tudo muda, imagino. Ainda bem. Eu tinha uns sonhos taaao toscos quando escrevi isso ai... Acho que um mes e mesmo muito tempo.

E, enfim, estou comecando o post que me prometo tem muito tempo. A intensao e ir sempre atualizando, mas nao garanto nada.


Comecemos:


COISAS A SE FAZER ANTES DE MORRER
(Nao necessariamente nessa ordem)

- Treinar kung por pelo menos 6 meses em um templo na China
- Estudar seriamente sobre Lovecraft
- Ler contos de influencias de Lovecraft - OK
- Ler a Iliada e a Odisseia, na integra
- Ler os Lusiadas, na integra
- Entender a Iliada, a Odisseia, e os Lusiadas
- Ler um monte de classicos de verdade
- Ler alguns falsos classicos e gostar
- Estudar mitologia grega
- Viajar de balao
- Mergulhar
- Pular de para-quedas
- Pular com aquelas roupas com membranas entre as pernas e entre os bracos e o tronco
- Morar em londres
- Morar em Paris
- Aprender frances
- Aprender alemao
- Aprender mandarim
- Aprender latim
- Aprender pelo menos o nome certo da lingua que se fala na india
- Ir a Africa
- Ir ao nordeste brasileiro - OK
- Comprar cordeis - OK
- Ir a Australia e Nova Zelandia
- Brigar na rua, e ganhar
- Brigar na rua, e apanhar
- Evitar uma briga seria
- Deixar instrucoes pra depois da minha morte
- Deixar de ser morbido
- Promover uma festa grande, e, se possivel, ganhar dinheiro com isso
- Aprender dancar danca de salao
- Dancar tango na Argentina
- Ir a Argentina - OK
- Ir ao Peru
- Voltar ao Chile
- Ir ao Egito
- Ir a Grecia
- Ir a Holanda
- Ir a Noruega
- Gostar de jazz - OK
- Gostar de blues - OK
- Saber descorrer sobre a diferenca entre jazz e blues
- Beber scotch escutando jazz, em um bar onde bebe-se scotch e escuta-se jazz
- Entender sobre musica classica
- Conhecer por nome musicas de compositores classicos
- Aprender tocar piano
- Aprender tocar orgao (e nao pensar em piadinha infames)
- Aprender tocar sax
- Aprender tocar violao, e tocar pra amigos em um luau
- Participar de um luau na praia, com fogueira e tudo
- Publicar um livro
- Vender fotos
- Ser fotografo, de verdade
- Ter um fotografo predileto
- Discutir com alguem sobre qual fotografo predileto e melhor, usando termos tecnicos
- Ser lider de uma revolucao, ou pelo menos participar de uma (nem precisa ser grande, qualquer revolucaozinha serve)
- Dirigir um tanque de guerra
- Atirar
- Fumar - OK
- Cheirar
- Beber - OK
- injetar
- Tomar - OK
- Aprender gostar de cafe - OK
- Escrever meu livro em uma mesa de cafe, com um notebook compacto e branco
- Ter um gato preto (mesmo odiando gatos)
- Ter um monte de cachorros
- Ter uma aquario gigante
- Nao assistir TV em nenhuma ocasiao
- Conseguir ler tarde da noite sem ficar com sono - OK
- Virar a noite lendo - OK
- Assistir o nascer do sol do telhado
- Deixar de me enganar no emprego da crase
- Ter vocabulario capaz de produzir textos ininteligiveis
- Produzir textos ininteligiveis, so pra fazer graca
- Ler varios grandes filosofos, e nao concordar com nenhum
- Discutir com um psiquiatra
- Entrar pra alguma seita maluca ou neo-religiao
- Converter pelo menos uma pessoa ao ateismo
- Discutir religiao (ou falta dela) com um padre, e ganhar
- Ser rico, muito rico
- Ter uma mansao enorme
- Ter uma sala de meditacao na mansao
- Conseguir um jeito de ganhar muito dinheiro sem trabalhar, mesmo que eu ja tenha trabalhado muito
- Ter pelo menos um "sonho consciente", daqueles que se controla
- Conhecer pelo menos um pouco sobre cinema
- Conhecer muito sobre literatura
- Conhecer bastante de fotografia
- Conhecer um tanto sobre pintura
- Conhecer um outro tanto sobre escultura
- Me considerar culto
- Ser considerado culto
- Usar sobretudo preto
- Usar chapeu
- Usar fraque
- Escrever um texto em um guardanapo, em um momento de inspiracao subita
- Cumprir pelo menos 30% dessa lista

- Ah! O dirigivel! Como eu pude me esquecer do dirigivel???


Anos depois: será que a gente chega em uma idade na qual o que a gente escreveu há um ou dois anos não vai causar vergonha?

17 novembro, 2006

Tempus fugit

Li essa frase a uns dois dias (ou seriam mais?) atras, em algum lugar na vastidao da internet. Gostei. Nao no sentido que se liga ao Carpe Diem, que nem me agrada tanto. Mas no sentido literal. Tempus fugit. O tempo voa. E como voa. Ontem foi o dia que eu sai de casa. Passaram-se quase tres meses desde "ontem". No dia anterior a esse eu decidi vim pra ca. E desde esse ai ja se passou muito mais tempo. O tempo passa, a gente fica.

Eu sempre fui fascinado pelo tempo, enfim. Ja sonhei em ter no quarto milhares de relogios, em uma das paredes, sobrepostos uns aos outros. Tantos tic-tacs me deixariam insano, e claro. Insano com o tempo. Eu gostava da ideia, ainda nao descarto. E se for pra fazer, que seja direito. Com aqueles relogios bem barulhentos. Daqueles que ficam na cozinha e nao te deixam dormir na sala, com a TV ligada.

O tempo e fixo. O tempo nao passa pra gente. A gente passa pelo tempo. Existe o tempo? O relogio existe. Mas o que mede o relogio? Segundos? E se nao existissem relogios, existiriam segundos? Nao existe tempo, e ainda assim ele nos governa, nos controla. Nao acredito em viagens no tempo. Nao quero acreditar em viagens no tempo. Claro que ia ser legal poder voltar e virar comida de tiranossauro. Mas ia perder a graca. O tempo perderia todo esse misticismo, essa magia, se a gente o pudesse controlar. E como seria chato o mundo sem tempo! E "tempus fugit" nao faria mais sentido. E eu adoro essa frase. Viagem no tempo? Nao, obrigado!

Mas eu falei e falei e nao disse. Essa reflexao toda em volta do tempo comecou hoje de manha. 8 semanas. E o tempo que eu ainda tenho aqui na geladeira gigante. 8 semanas. Pouco, muito pouco. Se disser 2 meses parece um tempo razoavel. Mas sao oito semanas. E so oito semanas. Nao curti o quanto queria. Nao fiz tudo que queria fazer. Nao tirei as fotos que queria tirar. Nao fui nos lugares que queria ir. Nao comprei o que queria comprar. Nao aprendi o que queria aprender. Mas ainda nao acabou. Ainda tenho dois meses. Oito semanas. Durante as quais eu nao vou fazer nada de novo. Oito semanas refletindo sobre como o tempo passa rapido. Sobre como me avisaram, e eu nao acreditei. Oito semanas. Mais oito semanas com frio. Mais oito semanas escorregando na calcada. Mais oito semanas com saudade. E eu nem acho tao pouco assim.

08 novembro, 2006

a trilha sonora acabou
minha vida agora eh um filme mudo, preto e branco e bem sem graca
traficantes canadenses filhos de uma puta!!!

06 novembro, 2006

Acho que falar do Seu Jorge no onibus nao deu a devida importancia a situacao!
Pode parecer besteira, visto que, pelo menos aqui, quase todo mundo tem um mp3 player. Mas, pra alguem como eu, que nunca tinha tido um, e algo inimaginavelmente bom!
Nao e so escutar musica na rua. Voce coloca uma trilha sonora na sua vida! Seu Jorge no onibus. Zuco na escola. Fatboy na academia (algo mais animador?). Voce se meche no ritmo da musica. Eu fico ate imaginando que minha vida e um filme, as vezes. E a trilha uma vez ou outra bate certinho com a cena. Um filme trash e mal feito, sem enredo. Mas um filme, de fato.

(Eu pensei em uns tres temas pra posts hoje, mas acho que a sindrome de blogueiro ja me afeta. esqueci!)

04 novembro, 2006

De vez em quando descubro algum dos pequenos prazeres da vida.
Andar de onibus escutando Seu Jorge num mp3 player novinho em folha entrou pra lista agora!
eta, trem bao so!

03 novembro, 2006

Lembrou que era seu aniversario no fim da tarde de outono. Afinal, quem ligaria para desejar-lhe que fosse um bom dia? Familia ja nao tinha mais, depois que os pais morreram em um acidente de carro, no ultimo natal. Amigos? Ja se haviam passado anos desde que esquecera o que eram amigos. Os ultimos ficaram no Brasil, que era pequeno demais pra ele.
Ele creceria. Nascera pra crescer e sabia disso. Quando adolescente brincava que com seus 22 faria um investimento que daria certo. Com 23 teria seu primeiro milhao. De dolares. Completava 40 naquela tarde e o que realmente tinha? Seu computador, que usava pra jogar paciencia, uma colecao razoavel de CDs e seu gato preto, companheiro das horas nostalgicas, e essas horas eram cada vez menos raras. Sentia falta da infancia, e da adolescencia sonhadora. Sempre quisera estar ali, mas pensava que seria diferente. Teria sua mansao e seus criados. Caes de guarda e guarda-costas, pra axpulsar os sequestradores que se escondiam em cada esquina. De dia checaria seus negocios pelo computador, e de noite, jantaria o melhor da cozinha europeia. Morava em um AP minusculo, de aluguel. Usava pratos e talheres descartaveis e limpava o chao uma vez por mes. As roupas levava na lavanderia mais barata que encontrasse. Tinha um poodle barulhento, heranca de uma ex e motivo de reclamacoes diarias dos vizinhos. Roubara comida no supermercado, duas vezes. Almocava um sanduba de queijo com presunto, nos meses que conseguia gastar menos no puteiro, e de noite comia o resto que encontrasse na geladeira.
Por mais que se esforcasse nao conseguia lembrar exatamente como caira em um poco tao fundo. Tinha tudo que precisava pra dar certo. Suas notas na escola eram acima da media. Nunca as melhores, mas longe das piores. Poderia trabalhar em qualquer lugar do mundo com as influencias de seu pai, um milionario do mundo dos negocios. Era criativo, pelo menos achava que sim. Ja ate tentara ser musico, nao deu certo. Tentara ser poeta, nao deu certo. Escrevera um romance. 512 paginas de muita acao, drama e romance. Nunca achou uma editora que se dispusesse a publicar. Pintara alguns quadros, em suas aulas de pintura no primario, nunca profissionalmente. Nunca plantara nem sequer uma arvore. Nao achara nem mesmo uma mulher disposta a lhe dar o filho que lhe completaria a vida.
Nao se sentia bem relembrando assim sua vida falida. O copo do conhaque com o qual se presenteara esvaziava rapido. Nem reparava nas meninas que dancavam no palco, pela primeira vez. Nao queria sexo naquele dia. Nem mesmo com aquela da semana passada, que o fizera superar limites. Era sexta.
Voltou pra casa, se e que "aquilo" pode mesmo ser o lar de alguem. Chorou. No meio das roupas jogadas encontrou o telefone, e a agenda antiga. Achou o telefone dela. Nao tinha certeza se ela mantinha o mesmo numero, mas nao custava tentar. Chamou quatro vezes antes que alguem atendesse, com voz de sono. Era ela. "Como que voce me liga depois de tanto tempo, a essas horas, e bebado?! Ta louco?". Desligou. Olhou pro relogio e viu que ja eram 5, nem percebera o tempo passar.
Estava bebado demais pra dormir, apesar de toda contradicao. Ligou a TV. Nao gostava de assistir, mas nao conseguiria digitar sua senha no computador. Desenhos. Lembravam da sua infancia, mas ele nao queria mais lembrancas. Nao por hoje. Desligou. Colocou um CD de Jazz no som. Relaxava. Se afundou em melancolia, ate que dormiu.
Acordou ali, no chao da sala. 3 da tarde, sabado. Ate na semana anterior sabado era dia de dormir. Nao mais. Nao conseguia dormir mais. Decidira mudar. Nao dava pra continuar assim. Era um "quarentao" agora, tinha que arrumar uma vida decente! Foi procurar emprego e nao achou. Tentou tocar o velho piano, desafinado com a falta de uso. Tentou pintar um quadro, faltava-lhe tinta. Faltavam-lhe ideias. Tentou escrever mais um livro, talvez um mais comercial, so para ganhar uns trocados. Seus dedos nao digitavam. Estava bloqueado, mentalmente. 7 da noite, hora de ir no bar, beber. Afinal, era sabado. Iria? Foi. Se esqueceu das lembrancas, se abdicou dos sonhos. Bebeu naquele e em todos os outros sabados de sua vida, nao muito mais longa. Seguiu, do mesmo jeito. Escondia a melancolia, e afogava as lembrancas no conhaque. Nao era assim uma vida muito boa, bem sabia. Nao ligava. Vivia. Apenas vivia. E morreu, sozinho, como era de se esperar.